WORKSHOP AUTOMOTIVO

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“Inverno será longo”, prevê o Sindipeças
Faturamento do setor em 2015 deve cair 18% e investimentos, em 53%

ALEXANDRE AKASHI, PARA AB
Da esq. para a dir.: José Eduardo Luzzi, Manoel Henrique Mota e Wilson Bricio
O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) não tem projeções animadoras para 2015 e 2016. “O inverno que entramos será longo”, disse o conselheiro da entidade e presidente da Freudenberg-NOK, George Rugitsky, que apresentou dados estatísticos com as previsões do setor de autopeças durante oWorkshop Planejamento 2016, promovido porAutomotive Business na segunda-feira, 17, em São Paulo.

O estudo indica que o faturamento deve cair 18% (de R$ 76,7 bilhões para R$ 62,9 bilhões), os investimentos serão 52,9% menores (de US$ 1,38 bilhão para US$ 650 milhões) e o número de postos de trabalhos diminuirá 15,3% (de 194,7 mil para 165 mil) em relação a 2014. “Temos de ser realistas”, afirmou Rugitsky.

Apesar dos números ruins, o Sindipeças acredita em leve recuperação para 2016, com pequenos ganhos em faturamento (2,1%), investimentos (1,5%) e empregos (0,1%). “Existem chances de a produção crescer, mesmo que as vendas não”, disse Rugitsky, referindo-se à substituição de componentes importados por nacionais promovido pelas montadoras para compensar a alta d dólar. Para o conselheiro, porém, a recuperação será mais lenta do que na crise de 1997, quando a indústria quase bateu a marca de 2 milhões de unidades produzidas e na sequência experimentou forte queda de vendas de mais de 25%. 

COMPETITIVIDADE

Rugitsky fez também uma explanação sobre os fatores que influenciam diretamente a competitividade da indústria de autopeças nacional, como a taxa de câmbio e o aumento real dos salários dos empregados do setor. “Enquanto os salários tiveram 100% de aumento real (em 10 anos), a produtividade só cresceu 3%. Não somos contra aumento real, mas é preciso que seja acompanhado pela produtividade”, disse. 

Já sobre a alta do dólar, Rugitsky comentou que ajudou a retomar parte da competitividade internacional e tende a favorecer as exportações, porém não resolve o problema como um todo. Esta é, inclusive, a opinião de dirigentes das indústrias de autopeças como um todo.

Logo após a apresentação dos números do Sindipeças, o presidente da Navistar Mercosul, José Eduardo Luzzi, o diretor de vendas do Grupo Continental no Brasil, Manoel Henrique Mota, e o presidente da ZF América do Sul, Wilson Bricio, debateram o tema Competitividade em Autopeças, com abordagem a temas como câmbio, empregabilidade e investimentos. 

“A alta do dólar é mais negativa do que positiva para nós pois é difícil repassar isso na cadeia, apesar de o conteúdo local ser bem elevado na indústria de caminhões, uma vez que a gente só importa o que não é produzido aqui”, comentou Luzzi, da Navistar. 

Com ociosidade média de 36,8%, a indústria nacional de autopeças luta para manter os postos de emprego, apesar da redução de 55 mil posições desde o fim de 2013. Segundo Rugitsky, do Sindipeças, por se tratar de mão de obra qualificada e alto custo de treinamento, as demissões são muito prejudiciais para a indústria. “Estamos tentando aumentar o nível de atividade interna para mantermos os empregos”, afirmou Mota, do Grupo Continental. 

Em relação aos investimentos, que segundo o Sindipeças somarão US$ 650 milhões em 2015 (metade de 2014), os participantes do debate foram unânimes em afirmar que é preciso gerar receita para voltar a investir. “Agora é preciso investimentos que vão gerar resultados”, comentou Bricio, da ZF. 

A superação da crise está, no entanto, longe para os executivos, que criticaram a falta de reformas estruturais básicas para que o País volte a crescer. “A estabilidade só vai ser alcançada com reformas estruturais. Não vimos adoção de valor ao País. Temos muito a fazer ainda”, comentou Bricio. “Deixamos nos iludir com os altos volumes e pagamos uma conta alta porque não fizemos investimentos estruturais”, afirmou Mota, do Grupo Continental. 

Para Luzzi, da Navistar, a lição da crise é a flexibilidade. “Vivemos em um país em que as regras mudam o tempo todo e isso nos obriga a ser flexíveis. Não existe estabilidade”, comentou.

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