CRISE NAS MONTADORAS.

Sem acordo, Mercedes confirma demissões
Após impasse com sindicato, montadora anuncia cortes a partir de setembro

REDAÇÃO AB
Terminam sem acordo as duas reuniões entre representantes da Mercedes-Benz e dosindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo (SP) realizadas nos dias 17 e 18. Tanto montadora como sindicato confirmam o impasse entre as duas partes e a ausência de alternativas além das que foram discutidas. Como não houve consenso, a Mercedes-Benz informa em nota divulgada na quarta-feira, 19, que oficializará as demissões dos trabalhadores a partir de 1º de setembro na planta paulista, onde calcula excedente de mão de obra em 2 mil pessoas, conforme já havia sinalizado (leia aqui).

Por sua vez, o sindicato informa que caso a montadora concretize as demissões, vai iniciar “um processo de luta” (greve). Segundo o sindicato, a empresa não aceitou aderir ao PPE (Programa de Proteção ao Emprego), alternativa sugerida pelo próprio sindicato a fim de evitar os desligamentos na fábrica, onde são produzidos caminhões, chassis de ônibus, motores, eixos e transmissões. Os trabalhadores aprovaram em assembleia a autorização ao sindicato de negociar as condições do PPE junto à montadora (leia aqui).

Durante as reuniões, as duas partes tentaram buscar formas de solucionar a viabilidade de adoção do PPE, que neste caso previa redução de jornada em 20% com redução salarial de 10%. Para a Mercedes, “a adoção isolada do programa não é suficiente para continuarmos a administrar o contínuo excesso de pessoas na unidade, considerando nossa atual ociosidade de quase 50% na fábrica, além das expectativas negativas de recuperação do mercado em 2016”. Durante a negociação, a empresa alegou ser necessária a adoção de outras medidas além do PPE, como a reposição parcial da inflação nos salários no próximo ano, proposta que já tinha sido rejeitada pelo sindicato, bem como o nível de redução da jornada e de salário. 

“Em que pesem outras diversas propostas que fizemos, a empresa permaneceu irredutível. Ela nem sequer concordou que pudéssemos discutir alternativas com os trabalhadores após o retorno da licença remunerada, que ocorre na próxima segunda-feira, dia 24, e manifestou que vai iniciar o processo de demissões do excedente ainda antes do retorno do pessoal. Obviamente, não vamos aceitar isso”, destacou Sérgio Nobre, diretor do sindicato.

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